Greve dos caminhoneiros: É possível prever uma nova paralisação?

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Principais reivindicações dos motoristas de caminhão na greve de caminhoneiros e quais foram cumpridas.

Desde a greve dos caminhoneiros em 2018, existem ameaças de uma nova paralisação. Para saber se é possível que outra greve aconteça, é preciso entender quais as reivindicações feitas pelos caminhoneiros em 2018 e, principalmente, quais delas foram devidamente cumpridas.

Greve dos caminhoneiros

Em 2018, no dia 21 de maio, motoristas de caminhão do Brasil todo pararam para reivindicar uma série de medidas. Durante os, aproximadamente, dez dias de greve, a economia teve prejuízos estimados em, aproximadamente, R$ 16 bilhões.

Nesse período, o Brasil também vivenciou uma crise de abastecimento de produtos essenciais como alimentos, mas, principalmente, combustível. Assim, evidenciou-se o papel essencial dos caminhoneiros na logística e distribuição de mercadorias no país.

O governo, então, fez tentativas de negociações com lideranças e representantes dos caminhoneiros. A partir do seu nono dia, a paralisação começou a perder força e o exército entrou para desbloquear rodovias brasileiras.

Principais reivindicações

1. Redução do preço do óleo diesel 

Em julho de 2017, a Petrobras iniciou uma nova política de preços para combustíveis, que repassa as variações do valor do dólar e do petróleo no mercado internacional. Desde então, até o primeiro dia de paralisação, o óleo diesel registrou aumento de 56,5%, de acordo com Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Para que fosse viável a diminuição do preço do óleo diesel, a categoria sugeriu o corte de impostos, como PIS-Cofins e Cide. O combustível incide diretamente no lucro dos caminhoneiros. Em média, os gastos com combustível podem chegar a comprometer de 20% a 50% dos seus salários, obrigando muitos caminhoneiros a dirigir fazendo média.

Essa reivindicação foi parcialmente cumprida. O até então presidente, Michel Temer, diminuiu R$0,46 no litro de diesel na bomba por 60 dias, por meio da diminuição de impostos. Contudo, a redução prometida levou meses e não chegou integralmente às bombas. Procons e órgãos do governo ficaram encarregados pela fiscalização dos postos de combustível.

2. Fixação de uma tabela mínima de valores para fretes

Os caminhoneiros também exigiam a fixação de uma tabela mínima para os valores de frete. Isso porque, a nova política de preço da Petrobras permitia reajustes diários, dificultando a definição do valor do frete. Durante a viagem, o preço do combustível poderia variar muitas vezes, invalidando o cálculo de custo.

Uma tabela mínima para o valor de fretes foi aprovada pelo Congresso após duas tentativas. Já a revisão dos valores do óleo diesel passou a ser feita, aproximadamente, a cada quinze dias pela Petrobras.

3. Isenção dos pedágios para eixos erguidos

Foi concedido aos caminhoneiros, conforme solicitado, a suspensão da cobrança de cargueiros que estivessem sem carga e com parte dos eixos erguidos, por conta da falta de peso. A isenção vale para rodovias municipais, estaduais e federais..

Ameaças de novas greves

Em setembro de 2018 houve uma ameaça de outra greve, segundo mensagens que circulavam nas redes sociais. Mas a nova paralisação foi descartada mais tarde pela União dos Caminhoneiros do Brasil (UDC Brasil).

Em comunicado, a UDC-Brasil disse que, a partir do dia 9 de setembro, daria início a uma mobilização nacional para cobrar do governo outras medidas e o cumprimento de acordos feitos durante a paralisação. No entanto, a ABCAM – Associação Brasileira de Caminhoneiros –  e a CNTA – Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos –  discordaram por acharem que a paralisação tiraria a credibilidade que os motoristas conseguiram na greve anterior.

Representantes que participavam das negociações também disseram que o governo estava buscando cumprir com os acordos e ouvindo as queixas da categoria. Além disso, a UDC-Brasil não possui site ou redes sociais, logo, uma nova paralisação coordenada pela organização seria difícil.

Em 2019, outra ameaça de greve aconteceu. Apesar de mais descontentes, lideranças afirmaram que o governo estava mais uma vez buscando soluções. Porém, as medidas estavam levando muito tempo para serem implementadas. Dessa vez, uma paralisação ficou ainda mais iminente.

Outro fator que enfraqueceu uma possível greve foi a condição financeira de alguns caminhoneiros, que estava ruim. Quanto mais as medidas demoram a ser tomadas, a nova greve da categoria fica mais provável.

Reivindicações atuais

1. Problemas na tabela de fretes

A categoria quer uma revisão dos números da tabela de valores mínimos de frete. Caminhoneiros também se queixam que muitas transportadoras não estão cumprindo a tabela e, por isso, pedem uma melhor fiscalização.

2. Preço do óleo diesel

Os aumentos do preço do óleo diesel são, mais uma vez, um problema: os períodos que sucederam a ameaça de greve de 2019 e de julho de 2020 foram marcados por uma alta no preço do combustível. Todavia, neste ano, devido ao tempo levado para os reajustes chegarem às bombas e à queda no consumo, o aumento ainda não pôde ser sentido.

Os motoristas de caminhão também pedem a revisão da política de preços da Petrobras. A categoria quer que os reajustes aconteçam a cada três meses ou pelo menos mensalmente.

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